quarta-feira, 8 de agosto de 2012

SuperSincera

Eu sofro de um transtorno grave. Muito grave mesmo. Sofro de super sinceridade!
Isso, até certo ponto da minha vida eu achava ok. Acreditava que a verdade deveria ser dita. Doa a quem doer, custe o que custar. 
Quando alguém vem me contar algo, seja amigo ou não, conhecido ou somente de passagem, pode ser familiar ou pessoas comuns do dia-a-dia, que esbarramos e sem querer conversamos, e rola um desabafo, a Super Sincera aparece para papear também. Afinal ela é assim: surpreendente e muitas vezes intrometida também.
Não sei o que acontece com minha boca. Quando ouço algo que acredito ser errado ou injusto imediatamente acontece um estranho formigamento na boca, uma coceira na garganta... as cordas vocais começam a ficar trêmulas, mas sem nenhuma timidez. Minha língua começa a dançar entre os dentes então, repentinamente o baile se forma e.......... tcharam!! A verdade entra no ritmo e corre ao vento bem rápida. Mais rápida que o Bolt - porque a Olimpíada de Londres é agora.
Lógico que não sou a dona da verdade desta vida. Mas entendam que não sou eu. É a SuperSincera que chega de mansinho e se instala neste corpo e principalmente nesta boca.
Sempre segui da seguinte lógica: se alguém, seja lá qual for o grau de relacionamento entre a gente, vier até a minha pessoa para contar algo, é porque ela também quer ouvir algo relacionado ao tema. Então, novamente a SuperSincera sempre se faz solicita nessas ocasiões. Porque ainda, seguindo a mesma lógica, se alguém, não quer ouvir nada a respeito de determinado tema, ela deve se calar, correto?! Ok, ok! Algumas querem somente desabafar. Falar. Ser ouvida. Mas para isso as pessoas vão ao terapeuta. Lá eles dão todo esse suporte.
Tudo bem que a verdade realmente dói. Dói em mim, sabe! Então deve doer em todo mundo. Mas EU em particular, prefiro ouvir a verdade na íntegra. Mas essa sou EU! 
Sei que fiz grandes amizades incorporando a SuperSincera. Fiz mais amigos que inimigos.
Mas percebi também que, diversas vezes afastei pessoas encenando a SuperSincera.
"O bom filho a casa torna", como diz a máxima. Aqueles que são amigos de verdade, ão de retornar. Mas o distanciamento, ocasionalmente é sofrido.
Contudo, hoje mais do que nunca, vou aderir um conselho que uma amigona outrora me disse: "Mari, nem todo mundo merece ouvir a verdade!" Muito sábia essa minha amiga, que também sofre o mesmo distúrbio que eu
Realmente, muitos não merecem se quer ouvir a minha verdade. Muitos sequer não conseguem entender a minha verdade. Ou mal conseguem interpretar a verdade. Talvez não estejam preparados ainda. Cada um tem seu tempo e seu próprio jeito de caminhar.
Portanto eu peço encarecidamente, enlouquecidamente que só venham comunicar-se com esta que vos escreve quando estiverem preparados para ouvir na íntegra toda a minha opinião. Eu quero ser menos sincera. Mais política talvez. Menos crítica com certeza! E para isso preciso da ajuda e paciência de todos. Espero colaboração e total compreensão deste momento tão delicado em minha vida.
Prometo também que vou tentar avaliar melhor quem merece ou não a minha sinceridade.

Beijos sinceros :)